sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sou Psicopata.

   Etimologicamente falando sou sim psicopata, doente da alma, cheia de danos e más recordações. Tenho também como sensação preferida, a misantropia, o tédio a humanidade. Pessoas me cansam. Na pele, no riso e escondida atras das palavras, trago marcas que tendem a crescer ao decorrer do tempo. Costumam dizer que o remédio é o tempo, ainda acho que é a poesia, a invenção, a paixão. Invento. Amo. Desamo. Apego. Desapego. Mudo. Re-invento meu passado nela, por isso esqueço as magoas, as transformo no que deveriam ter sido, prevejo meu futuro e o faço como quero. Enquanto ao presente, escrevo pouco dele, porque nele estou sempre a escrever. Lembro que uma vez meu pai perguntou-me porque comecei a poetizar minha vida, ou a que gostaria de ter, respondi-lhe que só assim conseguia descansar, hoje minha resposta seria outra, hoje minha poesia vai além do alivio, ela hoje também é o meu peso, talvez minha alma poética faça de mim uma escrava, alguém viciada, dependente, da minha alma doente e de um papel, diria ao meu pai também que não comecei a poetizar minha vida, sempre a poetizei, mesmo quando não as escrevia, porque minha alma doente, ainda não morreu porque sente poesia, eu respiro poesia, e sempre a respirei.
   Acho que minha alma não morrerá, porque poetas não morrem, são eternizados n’um papel, por isso decidi escrever este texto, falar da minha alma, para que ela nunca se vá. Já me chamaram de louca, de tola, mas vejo com clareza que é realmente isto que todo poeta é, um louco, louco de amor, e orgulho-me dessa doença me apossar. Assim como todo psicopata necessita de seus tratamento, necessito dos meus, uma dose de café e um caderno em branco. Tenho minhas manias de louco também, converso sozinha ou melhor com meus muitos eus e seus desejos. Morro neste mundo imundo e renasço nos papéis e ainda assim sempre volto a respirar com a alma doente. Doença dos amantes, dos apaixonados! Meus dramas são todos mexicanos, e todos viram poesias, porque só dramatizar na mente não teria graça. Faço novelas, faço contos, faço verdades que não passam de mentiras bem escritas, e acredito em todas. Quando minto verbalmente no meu dia-a-dia sempre sou apanhada, e me convenço que meu talento é outro, mentir no papel, enganar a todos e a mim, com minhas estorias de amor ou de desamor. Outro dia eu me vi n’um debate incessante com meu professor de sociologia e me veio subitamente uma poesia em mente, dessas que se não anotas rapidamente fogem de tua mente na mesma velocidade que uma estrela cadente passa no céu. Eu corri. Abri meu caderno e anotei a ideia central da futura poesia “o lixo do mundo”, e quando estava novamente pronta a debater, me veio da alma doente um grito, que saiu de minha boca como um eco - ”O lixo do mundo, o mundo é o lixo, não sendo lixo, sendo a lixeira” o professor me disse “poetas são psicopatas, convencem o mundo com suas mentiras, converteu-me que este lixo é mesmo sem fim”, então eu pensei “Que tolo! Não vê que a filosofia das nossas almas poéticas, é outra, é reciclar”.

3 comentários:

  1. Nao sou de comentar nada mas nao teve como comentar fico excelente a maneira como usou as palavras e conseguil descrever os pensamentos todos nos temos pensamentos complexos mas poucos conseguem descrever em palavras!

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  2. Adoro esse texto! Li partes dele hoje no teatro, tentei interpreta-lo de forma bem doentia e inquieta, o pessoal de lá curtiu!

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